Rodinei Rosseto revela que secretário Maurício Cardoso ventilou possibilidade de reajuste de 5% para maio; nova assembleia será na terça (10)
Cerca de duas centenas de servidores públicos municipais de Alvorada estiveram reunidos em frente ao Paço Municipal nesta sexta-feira (06) em um ato diferente do habitual. Além dos cartazes e discursos, a categoria participou de um “salchipão” coletivo – estratégia do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SIMA) para garantir que os trabalhadores não ficassem sem almoço durante a paralisação.
O ato, que começou às 11h e se estendeu até o início da tarde, teve como mote principal a cobrança por um reajuste salarial de 5% para o quadro geral. Em entrevista exclusiva ao Jornal Taimbé durante a manifestação, o presidente do SIMA, Rodinei Rosseto, afirmou que a categoria segue desconfiada em relação a dois temas caros à gestão Douglas Martello: a Previdência e a contratação de militares da reserva.
“Se o fundo está superavitário, tem que reduzir contribuição”
Rosseto reagiu às notas oficiais divulgadas pela Prefeitura na véspera do ato, que negavam a existência de projetos concretos de reforma da previdência e esclareciam que os inativos da Brigada Militar atuariam como monitores, e não como professores. Para o sindicalista, a resposta do Executivo não é suficiente:
“Que bom que eles esclareceram que o fundo está superavitário e saudável financeiramente, o que nós defendemos há muitos anos. Mas se está superavitário, nós precisamos fazer a redução de 14 para 11% na contribuição, ou de 14 para 13, para 12. O fundo tem que ser paritário, não pode ser explorador da classe trabalhadora”, argumentou.
Sobre a presença de militares nas escolas, Rosseto foi enfático:
“Nós somos contra o projeto de escola cívico-militar. Lugar de militar é fazendo segurança pública, e de professor é na sala de aula. Nós defendemos concurso público, não contratação de cargos comissionados. Isso fere o fundo de previdência. Se a prefeitura está preocupada com o fundo, devia abrir concurso público.”
Sem diálogo com o prefeito, negociação avança com secretário
Um dos pontos mais sensíveis revelados na entrevista foi a ausência de diálogo direto com o chefe do Executivo. Rosseto afirmou que tenta uma conversa com Douglas Martello há mais de um ano, sem sucesso.
“Estamos tentando uma conversa com Douglas Martello há mais de um ano e não conseguimos falar com o prefeito. Hoje, o nosso porta-voz no governo é o Maurício Cardoso, o qual tenho o maior respeito e tem nos tratado de forma muito cordial. A negociação está sendo com o Maurício e os demais secretários, mas o prefeito não tem estendido a linha de conversa com o sindicato, que é o representante legal da categoria”, desabafou.
Apesar da ausência do prefeito, Rosseto revelou que a negociação salarial pode ter um desfecho positivo nos próximos meses. Segundo ele, em conversa mantida com o secretário Maurício Cardoso na véspera do ato, foi ventilada a possibilidade de o Executivo chegar aos 5% pleiteados – mas com pagamento parcelado.
“Eles começaram oferecendo 0,2%, foram para 2%, agora 3,9%. Nós estamos pedindo 5%. E ontem, em conversa com o Maurício, ele já ventilou que é possível que saia esses 5%, mas esse complemento seria em maio”, adiantou o sindicalista.
“Salchipão” como estratégia e próximo passo
O presidente do SIMA explicou que o formato do ato – com comida compartilhada no horário do meio-dia – foi pensado para garantir a participação sem expor os servidores.
“O salchipão é justamente para o servidor pelo menos forrar o estômago e não ficar sem almoço. Estamos fazendo um ato na hora do intervalo, que todos podem participar. Isso aqui não é uma manifestação abrupta, é um ato em defesa de um direito coletivo do quadro geral”, explicou.
Sobre os próximos passos, Rosseto confirmou que uma nova assembleia será convocada para deliberar sobre os rumos do movimento. “Conversei agora com o secretário Maurício e acho que teremos notícias interessantes pela frente. Vamos chamar assembleia para terça-feira, ao meio-dia, no sindicato”, concluiu.
A Prefeitura de Alvorada não enviou representantes ao ato desta sexta.

