Desde que o controle da Corsan passou para as mãos do grupo Aegea, em julho de 2023, o discurso de “eficiência da iniciativa privada” ruiu diante das torneiras secas e do desespero do povo de Alvorada. O que se vê hoje em nossa cidade não é um ajuste de transição, mas a face mais cruel de um modelo de negócio que enxerga o cidadão não como um sujeito de direitos, mas como um número em uma planilha de dividendos.
O Jornal Taimbé assume hoje uma posição clara e contundente: a crise hídrica que assola nossos bairros é a prova cabal da ineficácia da privatização de serviços essenciais. Quando a água – um bem fundamental à vida – é tratada como mercadoria, o lucro dos acionistas torna-se a prioridade absoluta, enquanto o bem-estar da comunidade é relegado ao último plano.
A realidade nas ruas de Alvorada é inaceitável. Bairros inteiros permanecem dias a fio sem uma gota d’água, comprometendo a higiene, a saúde e a dignidade das famílias. Enquanto o serviço desaparece, as faturas chegam com pontualidade britânica e, o que é pior, com valores abusivos que desafiam a lógica e o bolso do trabalhador. É uma afronta: paga-se cada vez mais por um serviço que se recebe cada vez menos.
Ao procurar a agência física para reclamar de cobranças indevidas ou falta de abastecimento, o alvoradense encontra um novo cenário de desrespeito: filas imensas sob o sol ou chuva, um atendimento moroso e soluções que, quase sempre, empurram o consumidor para parcelamentos com juros, aprofundando o endividamento de quem já luta para sobreviver.
Recentemente, a Prefeitura de Alvorada intensificou as cobranças sobre a concessionária, exigindo cronogramas de obras e melhorias imediatas. É um movimento necessário, mas que revela a fragilidade do poder público diante de uma gigante privada que parece operar sob suas próprias regras. A fiscalização precisa ser implacável. Já não são suficientes as multas que a empresa paga com uma fração de seu lucro; é preciso exigir o cumprimento do contrato ou a sua revisão imediata.
A raiz do problema é a lógica de mercado aplicada a um monopólio natural. Em uma empresa privada, a economia de custos em manutenção e pessoal reflete diretamente no bônus dos executivos, mas para o morador do Umbu, do Passo do Feijó ou da Cedro, isso se traduz em canos estourados e caixas d’água vazias.
A privatização prometeu investimentos vultosos e modernização. Entregou filas, burocracia e sede. Alvorada não pode ser o laboratório de um experimento neoliberal que faliu antes mesmo de completar dois anos. Água é um direito humano universal, não um ativo financeiro.
É hora de dizer basta. Não bastam reuniões, não bastam promessas, não bastam planos de mídia. Alvorada precisa de água nas torneiras, de contas justas e de respeito. O Poder Público, em todas as suas esferas, tem a obrigação de exigir o cumprimento do contrato, mas também de reconhecer o erro de fundo: serviços como saneamento não podem estar à mercê da maximização do lucro.
Água é direito, não favor. E enquanto for tratada como mercadoria por uma concessionária que falha em sua obrigação mais básica, estará em risco a vida e a cidadania dos alvoradenses. O modelo privado, tal como aplicado pela Corsan/Aegea em nossa cidade, fracassou. E é sobre os ombros do povo que recai, todos os dias, o peso desse fracasso.
O Jornal Taimbé continuará ao lado da população, denunciando cada abuso e cada dia sem água. Não aceitaremos que a dignidade do povo alvoradense seja sacrificada no altar do lucro da Aegea/Corsan. A cidade exige respeito.

