Sede do SIMA em Alvorada. Sindicato foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem. (Foto: Iago de Campos / Jornal Taimbé)

Em novo vídeo, presidente do SIMA convoca categoria para ato desta sexta (06) e levanta críticas à gestão Douglas Martello; Prefeitura nega projeto de reforma da previdência e esclarece que militares da reserva atuarão como monitores, não como professores

A paralisação dos servidores municipais de Alvorada, marcada para esta sexta-feira (06), ganhou novos contornos nesta semana. Em assembleia realizada na última segunda (02), a categoria já havia rejeitado a proposta de reajuste de 3,9% apresentada pela Prefeitura e aprovado um ato público em frente ao Paço Municipal. Agora, um novo vídeo divulgado pelo presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SIMA), Rodinei Rosseto, amplia as críticas à gestão do prefeito Douglas Martello, incluindo a oposição a uma possível reforma da previdência e à contratação de servidores inativos da Brigada Militar para atuar como professores. A Prefeitura, em resposta à reportagem, esclareceu os pontos e negou que haja projetos concretos nas duas frentes.

No vídeo publicado nas redes sociais do sindicato, Rosseto convoca os trabalhadores para o ato de sexta: 

“Sexta-feira é um dia de luta em prol de uma questão de reconhecimento aos trabalhadores do quadro geral, que estamos pedindo 5% de correção salarial, como é justo e necessário devido a essa baixa valorização salarial que nós vamos sofrendo ao longo dos anos”.

Ele também detalha a programação: o ato começa às 11h, com um “salchipão”, e se estende até as 14h. O dirigente reforça que a decisão foi coletiva em assembleia e pede que os trabalhadores compareçam: “Vem, a luta é de todos vocês”.

Além do reajuste, Rosseto levantou a bandeira contra uma possível reforma da previdência. No vídeo, ele afirmou:

“Na sexta faremos um ato em defesa ao nosso fundo de previdência, porque nós somos contra qualquer tipo de reforma que será encaminhada pelo governo Martello. Nós já tivemos a reforma previdenciária em Alvorada e o nosso atuário já apontou que o nosso fundo de previdência não carece de reforma.”

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Alvorada esclareceu que não há qualquer projeto de reforma da previdência em elaboração. A administração informou que “esta questão está em estudo por um grupo formado por servidores municipais a partir de sugestão do atuário contratado pelo Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Alvorada (FUNSEMA). Tal análise tem anuência do Conselho Municipal de Previdência e Conselho Fiscal do FUNSEMA. Não existe neste momento nenhum esboço de projeto neste sentido, tão pouco previsão de envio à Câmara.”

A segunda crítica de Rosseto foi direcionada à contratação de servidores inativos da Brigada Militar para dar aula em escolas municipais. No vídeo, ele diz: “Nós temos concurso público, não contratação de servidores da inativa da Brigada Militar para dar aula em escola. Isso nós não aceitamos.”

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, esclareceu que se trata de uma parceria para atuação de monitores em escola cívico-militar, e não de contratação de professores: “A Secretaria Municipal de Educação de Alvorada esclarece que está firmando parceria para disponibilizar monitores à Escola Cívico-Militar, compostos por militares da reserva das Forças Armadas e das Forças Auxiliares. Esses profissionais não exercerão função docente nem atuarão em atividades pedagógicas. As atribuições estarão voltadas ao apoio na organização, disciplina, mediação de rotinas e fortalecimento de valores cívicos no ambiente escolar.”

A administração reforça que “todas as questões pedagógicas — planejamento, condução de aulas, avaliação e gestão curricular — permanecem sob responsabilidade exclusiva dos professores e da equipe pedagógica da escola, conforme a legislação educacional vigente.”

Rosseto também relatou que esteve na Câmara Municipal na terça-feira (03) e que, na ocasião, pediu pessoalmente uma agenda ao prefeito Douglas Martello: “Ontem o senhor tava na Câmara, eu inclusive pedi uma agenda pessoalmente, já que eu não consigo falar com o senhor”, declarou.

Sobre esse ponto, a Prefeitura informou que a pauta salarial “está sendo tratada diretamente com o sindicato por uma comissão formada pelas secretarias da Fazenda, Administração e pela Procuradoria Geral do Município (PGM)”. O executivo não confirmou se o prefeito receberá o sindicalista pessoalmente.

Na quarta-feira (04), a Prefeitura havia divulgado uma nota oficial detalhando a proposta salarial rejeitada. O executivo oferece:

  • Reposição integral da inflação de 2025 (INPC de 3,90%), retroativa a fevereiro;
  • Reajuste do piso do magistério em 5,4%, retroativo a janeiro;
  • Acréscimo de R$ 50 no vale-alimentação, auxílio-saúde e auxílio-creche;
  • Descongelamento da Gratificação por Tempo de Serviço (GTS), retroativo a janeiro.

A nota ressalta o “compromisso com o equilíbrio fiscal” e afirma que os projetos serão encaminhados à Câmara de Vereadores nos próximos dias para pagamento em 31 de março.

Procurado por telefone na quarta (04) e quinta-feira (05), o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Alvorada (SIMA) não atendeu às ligações. Na tarde desta quinta, a reportagem esteve presencialmente na sede da entidade, em busca de uma manifestação do presidente Rodinei Rosseto ou do vice-presidente. Ambos, segundo informado, estavam em compromissos externos e só teriam agenda disponível para entrevista na sexta-feira (06), após o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.

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